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Decreto-Lei n.º 349-C/83, de 30 de Julho

Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado

Um curso para aprender o REBAP de fio a pavio, do enquadramento legal aos anexos de cálculo, com testes em cada capítulo e um exame final de duzentas perguntas.

176
artigos
14
capítulos
3
anexos
1983
ano do diploma

Como tirar partido deste curso

O melhor caminho é seguir os capítulos pela ordem, porque cada um assenta no anterior. Comece pelo enquadramento e pelos materiais, passe à segurança e às acções, e só depois mergulhe no dimensionamento e nas disposições construtivas. No fim de cada capítulo há um teste de vinte perguntas: use-o para confirmar que percebeu, não para decorar. Quando se sentir à vontade, faça o exame final, que mistura perguntas de toda a matéria.

O curso funciona inteiramente offline e guarda o seu progresso neste navegador, por isso pode parar e retomar quando quiser. Tem também um modo claro e um modo escuro, no botão ao cimo da página, e um glossário com a simbologia do regulamento sempre à mão.

Antes de começar

O REBAP anda de mãos dadas com o RSA (o regulamento das acções e da segurança) e com o RBLH (o dos betões). Este curso foca o REBAP, mas aponta as ligações sempre que elas importam.

DL 349-C/83 · Arts. 1.º a 6.º
Primeira parte · Disposições gerais

Enquadramento e generalidades

Antes de calcular um único varão, convém perceber em que terreno legal estamos a pisar. O REBAP não nasceu sozinho nem do nada: é uma peça de um sistema regulamentar montado em 1983 para pôr a engenharia portuguesa de betão a falar a mesma língua das grandes organizações técnicas internacionais.

A origem: o Decreto-Lei n.º 349-C/83

O Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado, que toda a gente trata pela sigla REBAP, foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 349-C/83, de 30 de Julho. Veio substituir o velho regulamento de 1967 (aprovado pelo Decreto n.º 47 723), que já tinha duas lacunas sérias: não contemplava o betão pré-esforçado e estava ultrapassado face à evolução dos conhecimentos sobre segurança estrutural.

O texto foi preparado pela subcomissão própria da Comissão de Instituição e Revisão dos Regulamentos Técnicos do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes, com os estudos de base a cargo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). A inspiração veio sobretudo do trabalho do Comité Euro-international du Béton (CEB), cuja preocupação era harmonizar as regras dos vários países.

A peça-irmã: o RSA

O REBAP não trata sozinho da segurança. Ele assenta nos critérios gerais do RSA, o Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 235/83, de 31 de Maio. O RSA quantifica as acções e fixa os critérios de segurança válidos para qualquer material; o REBAP entra com o que é específico do betão.

Objecto e campo de aplicação (Art. 1.º)

O REBAP estabelece as regras a observar no projecto e na execução de estruturas de betão armado e de betão pré-esforçado. Mas tem fronteiras bem marcadas. Não se aplica a:

  • estruturas sujeitas a acções térmicas muito mais intensas do que as climáticas (na prática, temperaturas acima de cerca de 80 ºC), porque aí mudam as propriedades dos materiais;
  • estruturas mistas aço-betão;
  • estruturas com betões leves (massa volúmica inferior a 2000 kg/m³) ou betões muito densos (superior a 2800 kg/m³);
  • betão pré-esforçado com armaduras não aderentes, ou em que o pré-esforço não seja feito por armaduras traccionadas;
  • processos de construção industrializados e não tradicionais, que ficam dependentes de homologação caso a caso pelo LNEC.

Note-se uma subtileza: a designação «estruturas de betão pré-esforçado» abrange tanto as que usam só armaduras de pré-esforço como as que combinam pré-esforço com armaduras ordinárias. E as regras construtivas do regulamento tratam apenas as situações mais correntes; já os critérios gerais de dimensionamento valem sempre.

Art. 1.º

O Regulamento aplica-se ao projecto e à execução de estruturas de betão armado e pré-esforçado, com base nos critérios gerais de segurança do RSA, e pode ser referido pela sigla REBAP.

Quem assina e quem dirige (Arts. 2.º a 5.º)

Os artigos seguintes tratam de responsabilidades, e a regra é simples e exigente. Os projectos têm de ser elaborados por técnicos com formação adequada à natureza e importância da obra, habilitados pela legislação em vigor (Art. 2.º). A direcção técnica das obras obedece à mesma exigência (Art. 5.º).

Quanto à organização dos projectos (Art. 3.º), estes devem conter as peças escritas e desenhadas necessárias para justificar e verificar o dimensionamento e para executar a obra. A terminologia, a simbologia e as unidades têm de respeitar as do regulamento, salvo explicação clara em contrário. E quando há alterações, anota-se o que foi substituído, para que do processo fique sempre a descrição completa da estrutura efectivamente construída. Os projectos são depois submetidos a verificação e aprovação das entidades competentes (Art. 4.º).

Simbologia e unidades (Art. 6.º)

O REBAP adopta a simbologia da Norma Internacional ISO 3898 (toda compilada no Anexo III) e o Sistema Internacional de Unidades (SI). Vale a pena ter na ponta da língua as conversões mais usadas, porque ainda se cruzam com bibliografia antiga em kgf:

Grandezas e unidades SI recomendadas
GrandezaUnidadeSímbolo
Massaquilogramakg
ForçaquilonewtonkN
TensãomegapascalMPa
Momentoquilonewton metrokN·m
1 kN ≈ 102 kgf  ·  1 MPa ≈ 10,2 kgf/cm²  ·  1 GPa ≈ 10 200 kgf/cm²
Para reter

REBAP e RSA são inseparáveis: um dá as acções e a moldura de segurança, o outro dá o betão. O campo de aplicação tem limites claros (80 ºC, betões entre 2000 e 2800 kg/m³, sem armaduras não aderentes), e tudo se exprime no SI.

Teste do capítulo 1

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Caps. II e III · Arts. 7.º a 11.º
Primeira parte · Disposições gerais

Concepção e critérios de segurança

Uma estrutura bem dimensionada mas mal concebida continua a ser uma estrutura má. Este capítulo trata da fase em que se decide o esqueleto, e dos critérios que depois orientam toda a verificação da segurança.

Critérios gerais de concepção (Art. 7.º)

As estruturas devem desempenhar as suas funções durante o período de vida previsto com graus de segurança adequados, sem perder de vista a economia e, por vezes, a estética. O regulamento pede que o esquema estrutural permita uma leitura clara do funcionamento e corresponda a comportamentos previsíveis pelas teorias e experiência disponíveis.

Há duas preocupações que atravessam todo o REBAP e nascem aqui:

  • evitar roturas frágeis, aquelas que acontecem sem aviso;
  • evitar o colapso progressivo, em que a rotura de um elemento arrasta a estrutura inteira em cadeia.

Na concepção entram ainda as condições ambientes, as características do terreno de fundação e os processos construtivos. E as acções de acidente (explosão, incêndio, choque de veículos) devem ser consideradas sempre que possível, através de medidas que minimizem ou anulem os seus efeitos.

O grande tema: as acções sísmicas (Art. 8.º)

O artigo 8.º é dos mais ricos do regulamento, porque o bom comportamento sísmico decide-se mais na concepção do que no cálculo. São cinco as orientações a procurar:

  1. Rigidez ponderada: nem tão rígida que atraia esforços enormes, nem tão flexível que gere grandes deslocamentos.
  2. Elementos bem interligados em todas as direcções, para a estrutura funcionar como um todo.
  3. Simetria na disposição dos elementos e na distribuição das massas, para reduzir os efeitos de torção global.
  4. Sem grandes descontinuidades de rigidez e de massa, sobretudo em altura.
  5. Capacidade de dissipar energia por deformação não elástica, o que exige ductilidade.

Acrescenta-se uma regra prática: as juntas entre estruturas devem ter largura suficiente para evitar entrechoques durante o sismo, sobretudo quando os corpos têm deformabilidades muito diferentes. E chama-se a atenção para os diafragmas (em geral os pavimentos), cuja função é transmitir as forças horizontais entre os elementos verticais.

Atenção à descontinuidade

Fortes descontinuidades de rigidez concentram a dissipação de energia em poucas zonas, exigindo grande ductilidade local. A ductilidade é mais fácil de obter onde a deformação é dominada pela flexão, daí as disposições especiais do capítulo XII.

Verificação da segurança (Art. 9.º)

A verificação faz-se segundo os critérios gerais do RSA, complementados pelo REBAP. Cabe ao regulamento de betão objectivar os parâmetros próprios do material: os estados limites, os coeficientes de segurança, certas acções específicas, as propriedades dos materiais, as teorias de comportamento, as disposições construtivas e as regras de execução. As teorias podem ser complementadas, ou mesmo substituídas, por ensaios de modelos ou protótipos, com o cuidado devido na interpretação dos resultados.

Os estados limites

Estados limites Últimos Utilização ResistênciaEncurvaduraEquilíbrio FendilhaçãoDeformação
O mapa dos estados limites no REBAP.

Estados limites últimos (Art. 10.º)

São três, mas o regulamento trata directamente dois:

  • De resistência: rotura ou deformação excessiva nas secções, envolvendo ou não fadiga;
  • De encurvadura: instabilidade de elementos ou do conjunto;
  • De equilíbrio: perda de equilíbrio como corpo rígido (tratado apenas pelo RSA, por não ter especificidade do betão).

A fadiga, pela sua especificidade, sai do corpo do regulamento e vai para o Anexo II.

Estados limites de utilização (Art. 11.º)

Aqui estão os de fendilhação e os de deformação. Entre os de fendilhação, dois nomes a fixar:

  • Estado limite de descompressão: anulamento da tensão de compressão (devida ao pré-esforço e a outros esforços) numa fibra especificada;
  • Estado limite de largura de fendas: ocorrência de fendas cuja largura característica atinge um valor especificado, em geral ao nível das armaduras mais traccionadas.

Os de deformação correspondem a deformações que prejudiquem o desempenho das funções da estrutura (flechas, rotações, deslocamentos horizontais). Como não se podem definir de forma exaustiva, o regulamento quantifica apenas as situações mais frequentes, no artigo 72.º

Para reter

Concepção primeiro: clareza, robustez, ductilidade e simetria, com os sismos sempre em mente. A verificação assenta no RSA e organiza-se em estados limites últimos (resistência, encurvadura, equilíbrio) e de utilização (fendilhação, deformação).

Teste do capítulo 2

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. IV-A · Arts. 12.º a 20.º
Primeira parte · Materiais

O betão e as suas propriedades

O betão é o material de base, e quase tudo o que se calcula depois depende de o caracterizar bem. O REBAP arruma-o por classes, fixa as suas resistências e diz como passar dos valores característicos para os valores de cálculo.

Generalidades, tipos e classes (Arts. 12.º e 13.º)

Os betões têm de satisfazer o RBLH (Regulamento de Betões de Ligantes Hidráulicos) e obedecer aos artigos 13.º e 14.º do REBAP. Devem ser do tipo B; quando o ambiente é especialmente agressivo, passam a exigir-se também as características do tipo BD.

As classes vão de B15 a B55, e a designação corresponde ao valor característico mínimo da tensão de rotura à compressão aos 28 dias, em provete cúbico. Valor característico é aquele cuja probabilidade de não ser atingido é de 5%.

B1512B2016B2520B3025B3530B4035B4540B5045B5550 f_ck (MPa, cilindro)
As nove classes de betão e o respectivo f_ck em provete cilíndrico.
Quadro I: Classes de betão e f_ck (MPa)
ClasseCúbico (20 cm)Cilíndrico (15×30)
B151512
B202016
B252520
B303025
B353530
B404035
B454540
B505045
B555550

Duas restrições importantes: o B15 só pode entrar em estruturas de pequena importância, e nunca se usa betão de classe inferior a B30 em betão pré-esforçado.

Ligante e dosagem (Art. 14.º)

O ligante corrente é o cimento portland normal. A dosagem mínima respeita o RBLH, mas há uma regra de ouro: quando o betão não passa por estudo prévio de composição nem por ensaios de recepção, a dosagem de cimento não pode ser inferior a 300 kg/m³, e mesmo assim, para efeitos de cálculo, o betão é tratado como B15.

Resistência à compressão e à tracção (Arts. 15.º e 16.º)

A tensão de rotura à compressão determina-se em cubos de 20 cm ou cilindros de 15×30, aos 28 dias. Para a tracção, o regulamento dá valores médio e característico (Quadro II), obtidos da expressão:

f_ctm = 0,30 · f_ck2/3   (em MPa, f_ck cilíndrico)
Quadro II: Tensão de rotura à tracção (MPa)
ClasseB15B25B35B45B55
f_ctm1,62,22,83,44,0
f_ctk1,21,62,02,42,8

O valor característico inferior f_ctk anda pela ordem de 0,7 do valor médio. Há ainda um coeficiente de endurecimento que liga a resistência aos j dias à dos 28 dias (0,40 aos 3 dias, 0,65 aos 7 dias, 1,00 aos 28 dias, até cerca de 1,45 a tempo infinito).

Módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson (Art. 17.º)

O módulo de elasticidade aos 28 dias (Quadro III) vai de 26,0 GPa (B15) a 37,0 GPa (B55), e é um módulo secante. O coeficiente de Poisson, ν, situa-se entre 0,2 (fase não fendilhada) e 0 (betão traccionado fendilhado); nas aplicações correntes toma-se ν = 0,2.

E_c,j = 9,5 · f_cm,j1/3   (E em GPa, f em MPa, cilíndrico)

Retracção e fluência (Art. 18.º)

São deformações diferidas no tempo, determinadas segundo o Anexo I. Os seus efeitos pesam pouco nos estados limites últimos, mas condicionam bastante o comportamento em serviço (deformação e fendilhação).

Valores de cálculo (Arts. 19.º e 20.º)

Aqui está o salto do característico para o cálculo. O valor de cálculo da tensão de rotura à compressão, f_cd, obtém-se dividindo o valor característico (cilíndrico) pelo coeficiente de segurança do betão:

f_cd = f_ck / γ_c   com γ_c = 1,5

Por exemplo, o B25 (f_ck = 20 MPa cilíndrico) dá f_cd = 13,3 MPa. Na relação tensões-extensões de cálculo (figura 1 do regulamento), a tensão máxima é limitada a 0,85 f_cd, para ter em conta a perda de resistência sob carga prolongada, conforme recomenda o CEB.

Números para guardar

γ_c = 1,5 · B15 a B55 · f_ck cúbico = nome da classe · betão pré-esforçado nunca abaixo de B30 · dosagem mínima sem ensaios 300 kg/m³ (conta como B15) · E_c entre 26 e 37 GPa · ν = 0,2 · tensão máxima de cálculo 0,85 f_cd.

Teste do capítulo 3

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. IV-B/C · Arts. 21.º a 29.º
Primeira parte · Materiais

As armaduras: ordinárias e de pré-esforço

O betão resiste bem à compressão e mal à tracção; é o aço que trata da tracção. Conhecer os tipos de armadura, a sua aderência ao betão e o seu comportamento ao longo do tempo é meio caminho andado para dimensionar com confiança.

Armaduras ordinárias: características gerais (Art. 21.º)

As armaduras ordinárias caracterizam-se pelo processo de fabrico, pela geometria, pelas propriedades mecânicas e de aderência (e pela soldabilidade, quando há soldaduras). Quanto ao fabrico, distinguem-se aços naturais (laminados a quente) e aços endurecidos a frio (por torção, tracção, trefilagem ou laminagem a frio). Quanto à aderência, há duas famílias: aderência normal e alta aderência, conforme a geometria da superfície (lisa ou nervurada/rugosa).

As propriedades mecânicas que interessam são o módulo de elasticidade, a tensão de cedência (ou a tensão limite convencional de proporcionalidade a 0,2%), a tensão de rotura, a extensão após rotura e o comportamento à dobragem.

Tipos correntes (Art. 22.º) e o Quadro V

Os tipos correntes (Quadro V) designam-se por uma letra A, o valor da tensão de cedência em MPa, e duas letras que indicam o fabrico e a aderência:

Designações de armaduras ordinárias
DesignaçãoTensão de cedênciaLeitura
A235 NL235 MPaNatural, Liso
A235 NR235 MPaNatural, Rugoso
A400 NR / ER / EL400 MPaNatural ou Endurecido a frio
A500 NR / ER / EL500 MPaNatural ou Endurecido a frio

Exige-se ainda que a relação entre tensão de rotura e tensão de cedência não seja inferior a 1,05, e bom comportamento à dobragem com pelo menos 95% de probabilidade. As redes electrossoldadas têm regras próprias: o diâmetro dos varões fica entre 3 e 12 mm e o espaçamento não desce abaixo de 5 cm.

Pormenor prático

Os varões A235 NL estão dispensados de marcas de identificação e a sua dimensão segue a NP 332; todos os outros têm de ter marcas indeléveis. E há toda a vantagem em usar varões de alta aderência, tanto maior quanto mais resistente for o aço.

Classificação e homologação (Art. 23.º)

Salvo o A235 NL, qualquer armadura ordinária precisa de classificação ou homologação prévia pelo LNEC. A classificação aplica-se aos tipos correntes; a homologação fica para armaduras que, pela geometria ou pelo aço, não cabem no tipo corrente.

Módulo de elasticidade e relações de cálculo (Arts. 24.º e 25.º)

O módulo de elasticidade das armaduras ordinárias é simples de guardar:

E_s = 200 GPa

As relações tensões-extensões de cálculo (figura 2 do regulamento) usam um diagrama bilinear, em que f_syd se obtém do valor característico dividido por:

γ_s = 1,15   (aço ordinário e de pré-esforço)

As extensões limitam-se a 10‰ no alongamento e a 3,5‰ no encurtamento, em coerência com as hipóteses do artigo 52.º

Armaduras de pré-esforço (Arts. 26.º a 29.º)

São aços de muito alta resistência, em geral endurecidos a frio, que se apresentam como fios, varões ou cordões (ou cabos em feixe e em cordão). A distinção entre fio e varão faz-se pelo diâmetro de 12 mm; o cordão é um conjunto de fios enrolados em hélice.

O módulo de elasticidade baseia-se em ensaios; quando não se exige grande rigor, toma-se 200 GPa (Art. 27.º).

Relaxação (Art. 28.º)

É a perda de tensão sob extensão constante, e depende da tensão inicial e da temperatura. Os ensaios fazem-se a 0,6, 0,7 e 0,8 da tensão de rotura, a 20 ºC. Na ausência de dados, e para tensão inicial de 0,7 f_puk, admitem-se estes valores de relaxação a tempo infinito:

  • Aços de relaxação normal: cerca de 15%;
  • Aços de baixa relaxação: cerca de 6%.

A relaxação anula-se para tensão inicial igual a 0,5 da tensão de rotura, e cresce com a temperatura, pelo que em ambientes quentes convém usar aços de baixa relaxação. As relações de cálculo (Art. 29.º) não são tipificadas, dada a grande variedade de diagramas; obtêm-se do diagrama característico minorado por γ_s = 1,15.

Números para guardar

E = 200 GPa (ordinário e pré-esforço) · γ_s = 1,15 · relação rotura/cedência ≥ 1,05 · redes 3 a 12 mm, espaçamento ≥ 5 cm · relaxação normal 15%, baixa 6% · A235 NL dispensa classificação e marcas.

Teste do capítulo 4

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. V · Arts. 30.º a 34.º
Primeira parte · Acções

As acções

As acções vêm do RSA, mas o betão tem particularidades que obrigam a complementos. Este capítulo arruma quatro temas: as variações de temperatura, a retracção, os sismos e o pré-esforço encarado como acção.

Generalidades (Art. 30.º)

As acções a considerar são as do RSA, acrescidas das disposições complementares deste capítulo. Quer dizer: o RSA dá a base (cargas permanentes, sobrecargas, vento, neve, sismo, etc.), e o REBAP afina o que é próprio do betão.

Variações de temperatura (Art. 31.º)

Para os esforços devidos a variações uniformes de temperatura (as sazonais), o regulamento permite duas simplificações generosas:

  • usar metade dos valores do módulo de elasticidade do betão indicados no artigo 17.º;
  • tomar o coeficiente de dilatação térmica linear do betão e do aço igual a 10 × 10⁻⁶ /ºC.

E há uma dispensa muito útil na prática: em estruturas reticuladas cuja maior dimensão em planta (ou espaçamento entre juntas de dilatação) não exceda 30 m, pode dispensar-se a consideração destas variações uniformes. Só quando há variações rápidas é que se volta aos valores cheios do módulo de elasticidade.

Retracção do betão (Art. 32.º)

Os efeitos da retracção determinam-se com o Anexo I, mas há um atalho elegante: nos casos correntes, os efeitos finais da retracção equivalem a um abaixamento lento e uniforme de temperatura de 15 ºC, ficando aplicáveis as regras de temperatura (incluindo a dispensa dos 30 m).

Cuidado com o sinal

À luz do RSA, a retracção é uma acção permanente (coeficientes ψ iguais à unidade). Mas se os seus efeitos forem favoráveis à segurança, dada a imprecisão da sua quantificação, é prudente não os considerar no dimensionamento.

Acção dos sismos (Art. 33.º)

Este é o artigo dos coeficientes de comportamento, que corrigem os efeitos obtidos por análise linear para os aproximar de uma análise não linear. Eles dependem do tipo de estrutura e da sua ductilidade, distinguindo-se ductilidade normal (cumpre os capítulos X e XI) e ductilidade melhorada (cumpre também o capítulo XII).

Coeficientes de comportamento, edifícios correntes (direcções horizontais)
Tipo de estruturaDuctilidade normalDuctilidade melhorada
Pórtico2,53,5
Mista pórtico-parede2,02,5
Parede1,52,0

Para pontes correntes os valores variam conforme o modo de absorção da energia (flexão dos pilares, esforço transverso ou encontros). E uma regra de fundo: os coeficientes relativos a esforços na direcção vertical e os relativos a deformações tomam-se sempre iguais à unidade.

Obras que têm de funcionar depois do sismo

Em hospitais, quartéis de bombeiros, centros de telecomunicações e pontes de itinerários fundamentais, os coeficientes de comportamento relativos a esforços reduzem-se em 30%, sem nunca descer abaixo da unidade. Pede-se mais segurança porque a operacionalidade tem de ser garantida.

Acções de pré-esforço (Art. 34.º)

A quantificação faz-se segundo o capítulo VI. Na maioria dos casos (tensões e efeitos hiperestáticos em regime linear), o pré-esforço trata-se como acção permanente, porque, apesar de variar no tempo, tende rapidamente para um valor limite à escala da vida da obra. Já na determinação dos esforços resistentes últimos, o pré-esforço entra pelos estados de coacção que provoca.

Números para guardar

α térmico = 10⁻⁵ /ºC · E/2 para temperatura sazonal · dispensa até 30 m · retracção ≈ −15 ºC · pórtico 2,5 / 3,5 · parede 1,5 / 2,0 · vertical e deformações sempre q = 1 · obras essenciais menos 30%.

Teste do capítulo 5

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. VI · Arts. 35.º a 45.º
Primeira parte · Pré-esforços

O pré-esforço

Pré-esforçar é comprimir o betão de propósito, com cabos traccionados, para ele entrar em serviço já com uma reserva contra a tracção. A dificuldade está em que a força no cabo não é constante: varia ao longo da peça e diminui com o tempo. Este capítulo é a contabilidade dessas perdas.

Generalidades (Art. 35.º)

A força instalada na armadura é variável ao longo do cabo e no tempo. Tudo parte da força de pré-esforço na origem, P₀′, que é o valor exercido junto ao dispositivo de aplicação, no momento em que se aplica. A partir daí distinguem-se:

  • Pré-esforço inicial, P₀(x): a origem menos as perdas instantâneas (as que ocorrem antes e durante a transferência das forças dos macacos para as amarrações da peça);
  • Pré-esforço final, P∞(x): o inicial menos as perdas diferidas, ao fim de um tempo longo o suficiente para que praticamente todas se tenham processado.
Força no cabo tempo P₀′ origem P₀ inicial P∞ final perdas instantâneas perdas diferidas
Da origem ao final: as perdas instantâneas dão o degrau, as diferidas a descida lenta.

Valor máximo na origem (Art. 36.º)

Não se pode esticar o cabo à vontade. A tensão na origem, σ_po′, é limitada por dois tectos, e vale o mais baixo:

σ_po′ ≤ 0,75 · f_puk   e   σ_po′ ≤ 0,85 · f_p0,1k

onde f_puk é o valor característico da tensão de rotura e f_p0,1k o valor característico da tensão limite convencional de proporcionalidade a 0,1%.

Perdas instantâneas (Arts. 37.º a 40.º)

São de três naturezas principais:

  1. Atrito ao longo das armaduras (Art. 37.º): em pós-tensão, o cabo roça nas bainhas, e a perda cresce com o desvio angular e com a distância, segundo uma lei exponencial que envolve o coeficiente de atrito μ e o desvio parasita k;
  2. Deformação instantânea do betão (Art. 38.º): ao comprimir-se, o betão encurta e o cabo afrouxa;
  3. Deformações e escorregamentos nos dispositivos de amarração (Art. 39.º): a cunha cede um pouco ao cravar.

O pré-esforço inicial (Art. 41.º) é, portanto, a origem menos a soma destas perdas instantâneas.

Perdas diferidas (Art. 42.º)

Processam-se ao longo de meses e anos, e combinam três fenómenos que se influenciam mutuamente:

  • Retracção do betão (encolhe ao secar);
  • Fluência do betão (deforma-se sob carga mantida);
  • Relaxação das armaduras (perdem tensão sob extensão constante).

O pré-esforço final (Art. 43.º) obtém-se subtraindo ao inicial estas perdas diferidas a tempo infinito.

Valores característicos e transmissão (Arts. 44.º e 45.º)

Para efeitos de cálculo, os valores característicos das tensões devidas aos pré-esforços inicial e final tomam-se iguais aos valores calculados (Art. 44.º). Quando convém distinguir valores superior e inferior, consideram-se perdas respectivamente 30% inferiores ou superiores às calculadas.

A transmissão do pré-esforço ao betão (Art. 45.º) não é instantânea no espaço: as tensões só se podem considerar linearmente distribuídas a uma certa distância de regularização. Em pós-tensão, admite-se que a força se difunde a partir da amarração num ângulo β tal que tg β = 2/3. Em pré-tensão, a distância de regularização combina o comprimento de amarração com a posição da fibra extrema.

Números para guardar

σ_po′ ≤ 0,75 f_puk e ≤ 0,85 f_p0,1k · instantâneas: atrito, deformação do betão, amarração · diferidas: retracção, fluência, relaxação · valor superior/inferior por ±30% das perdas · difusão em pós-tensão tg β = 2/3.

Teste do capítulo 6

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. VII · Arts. 46.º a 56.º
Segunda parte · Verificação da segurança

Estados limites últimos de resistência

Chegámos ao cerne do dimensionamento. A pergunta é sempre a mesma: o que a estrutura tem de aguentar (o esforço actuante) cabe dentro do que ela consegue aguentar (o esforço resistente)? Tudo se resume a uma desigualdade.

Generalidades e a regra de ouro (Arts. 46.º e 47.º)

A verificação faz-se, em geral, em termos de esforços (no caso das lajes com análise plástica, em termos de acções; e quando há fadiga, em termos de tensões, pelo Anexo II). A condição é:

S_d ≤ R_d

onde S_d é o valor de cálculo do esforço actuante e R_d o valor de cálculo do esforço resistente. Quando há associação de esforços (flexão composta, por exemplo, com N e M), a desigualdade é simbólica: o ponto (M, N) actuante tem de cair dentro do domínio resistente.

Os coeficientes de segurança das acções

Os esforços actuantes usam as combinações e os γ_f do RSA. Há uma folga para o pré-esforço: o γ_g das acções permanentes (1,5 no RSA) pode descer até 1,2 para a acção do pré-esforço, salvo se os efeitos do pré-esforço forem predominantes, caso em que não desce abaixo de 1,35. Para outras permanentes muito bem conhecidas, γ_g pode também baixar até 1,35.

Do lado dos materiais, recordam-se os coeficientes: γ_c = 1,5 para o betão e γ_s = 1,15 para o aço.

Lajes em termos de acções (Art. 48.º)

Quando se usa análise plástica nas lajes (teoria das linhas de rotura), verifica-se que o valor de cálculo das acções é inferior à resistência expressa em acções. Há condições a respeitar, e uma delas é geométrica e fácil de fixar: a percentagem de armadura de tracção não deve exceder a que conduz a x/d = 0,25 (com x a profundidade da linha neutra e d a altura útil). Nos métodos estáticos, os momentos nos apoios devem ser pelo menos metade dos elásticos e não os ultrapassar em mais de 25%.

Esforços actuantes (Arts. 49.º a 51.º)

Tratam-se as estruturas reticuladas, as lajes e as estruturas de outros tipos. Para as reticuladas admite-se em geral análise elástica linear, com possibilidade de redistribuição limitada de momentos.

Esforços resistentes (Arts. 52.º a 56.º)

h d b (largura) A_s, armadura de tracção c
Secção em flexão: betão comprimido em cima, armadura traccionada em baixo, e a altura útil d.

Esforços normais e de flexão (Art. 52.º)

A determinação dos esforços resistentes assenta em hipóteses claras:

  • as secções mantêm-se planas na deformação;
  • o betão não resiste à tracção;
  • usam-se as relações tensões-extensões de cálculo dos materiais (Arts. 20.º, 25.º e 29.º);
  • a extensão máxima de encurtamento do betão é 3,5‰ (variando até 2‰ na compressão uniforme);
  • a extensão máxima de alongamento das armaduras é 10‰.

Para a flexão desviada usa-se uma fórmula de interacção; em secções rectangulares com armaduras iguais nas quatro faces pode tomar-se o expoente α = 1,2, sendo sempre do lado da segurança tomar α = 1.

Os outros esforços (Arts. 53.º a 56.º)

O esforço transverso (Art. 53.º) decompõe a resistência numa parcela do betão (V_cd) e numa parcela da armadura (V_wd). O punçoamento (Art. 54.º) é o transverso concentrado das lajes em torno de pilares, verificado num contorno crítico. A torção (Art. 55.º) trata-se pela secção oca eficaz, com parcelas de betão, armadura longitudinal e transversal. E o artigo 56.º cobre a torção associada a flexão ou a esforço transverso.

Números para guardar

S_d ≤ R_d · γ_c = 1,5, γ_s = 1,15 · pré-esforço γ_g até 1,2 (ou mínimo 1,35 se predominante) · secções planas, betão não resiste à tracção · ε_c = 3,5‰, ε_s = 10‰ · lajes em análise plástica x/d ≤ 0,25.

Teste do capítulo 7

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. VIII · Arts. 57.º a 64.º
Segunda parte · Verificação da segurança

Encurvadura

Um pilar pode ter secção e armadura de sobra e, ainda assim, dobrar lateralmente sob compressão antes de atingir a sua resistência. É a instabilidade, e quem manda nela é a esbelteza. Este capítulo é o estado limite último de encurvadura.

Generalidades (Art. 57.º)

A encurvadura é a instabilidade de elementos comprimidos. As regras escrevem-se para pilares, por serem o caso mais frequente, mas aplicam-se a qualquer elemento comprimido (escoras, paredes, vigas comprimidas).

Nós fixos e nós móveis (Art. 58.º)

Nós fixos Nós móveis l₀
O comprimento efectivo de encurvadura muda consoante a estrutura permite ou não deslocamento dos nós.

A distinção é decisiva. Numa estrutura de nós fixos, os deslocamentos horizontais dos nós são desprezáveis (há contraventamento eficaz). Numa estrutura de nós móveis, esses deslocamentos contam, e os efeitos de segunda ordem são mais severos. A classificação determina o comprimento efectivo de encurvadura, l₀.

Esbelteza (Art. 59.º)

A esbelteza, λ, mede quão delgado é o elemento em relação ao seu comprimento efectivo:

λ = l₀ / i   (i = raio de giração da secção)

Quanto maior λ, maior o risco de instabilidade. O comprimento efectivo l₀ obtém-se do comprimento livre afectado por um factor que depende das condições de extremidade e do tipo de estrutura.

Verificação e secções críticas (Arts. 60.º a 62.º)

A segurança verifica-se nas secções críticas. Em pilares de nós móveis, essas secções ficam junto às extremidades. Em pilares de nós fixos, a secção crítica fica numa zona intermédia, e o momento de cálculo a considerar é o maior dos valores dados por duas expressões que combinam os momentos das extremidades (M_Sd,a e M_Sd,b), conforme o pilar deforma em simples ou dupla curvatura.

Excentricidades adicionais (Art. 63.º)

Ao momento de primeira ordem somam-se três excentricidades, sempre no sentido mais desfavorável:

  1. Excentricidade acidental, e_a: cobre imperfeições geométricas da execução. Nos casos correntes toma-se e_a = l₀/300, com o mínimo de 2 cm;
  2. Excentricidade de segunda ordem, e₂: a flecha do pilar na secção crítica, ligada à curvatura;
  3. Excentricidade de fluência, e_c: tem em conta o acréscimo de deformação por fluência, função dos esforços permanentes e das propriedades reológicas do betão.

Quando se pode dispensar (Arts. 61.4 e 64.º)

A verificação da encurvadura pode ser dispensada em situações de baixa esbelteza ou de grande excentricidade do esforço normal. Por exemplo, quando a esbelteza é inferior ou igual a 35 em estruturas de nós móveis (em nós fixos, conforme uma condição que envolve a relação entre os momentos de extremidade), ou quando a relação M_Sd/N_Sd é suficientemente grande face à altura da secção. O artigo 64.º fixa ainda limites de esbelteza.

Números para guardar

λ = l₀/i · nós fixos vs móveis decide l₀ e a secção crítica · e_a = l₀/300, mínimo 2 cm · três excentricidades: acidental, segunda ordem, fluência · dispensa em nós móveis se λ ≤ 35.

Teste do capítulo 8

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. IX · Arts. 65.º a 73.º
Segunda parte · Verificação da segurança

Estados limites de utilização

Uma estrutura pode estar longe de romper e, mesmo assim, não servir: fendas largas que deixam entrar a corrosão, flechas que partem vidros e empenam portas. Os estados limites de utilização tratam do conforto e da durabilidade, não do colapso.

Generalidades e regras de verificação (Arts. 65.º e 66.º)

A verificação faz-se para as combinações de acções de serviço definidas no RSA. São dois os grandes grupos: fendilhação e deformação.

Fendilhação (Arts. 67.º a 71.º)

Agressividade do ambiente (Art. 67.º)

O ponto de partida é classificar o ambiente quanto à agressividade e a sensibilidade das armaduras à corrosão. Quanto mais agressivo o meio e mais sensível o aço, mais apertada tem de ser a limitação da fendilhação, porque a fenda é a porta de entrada da corrosão.

Estados a considerar (Art. 68.º)

Conforme o caso, verificam-se os estados limites de:

  • Descompressão (Art. 69.º): anulamento da tensão de compressão numa fibra especificada. É típico do pré-esforço, onde se quer manter o betão comprimido;
  • Largura de fendas (Art. 70.º): a largura característica w_k das fendas não deve ultrapassar um valor especificado, em geral ao nível das armaduras mais traccionadas;

A largura de fendas depende da tensão nas armaduras, da distância média entre fendas e da extensão média da armadura. Acompanha estas verificações uma verificação da tensão máxima de compressão no betão (Art. 71.º), para limitar fluência excessiva e fendilhação longitudinal.

Porque importa a fenda

A fendilhação que mais preocupa é a transversal às armaduras, em elementos sob esforços normais e de flexão. Outras fendilhações (paralela às armaduras, por transverso ou torção) controlam-se por disposições construtivas, não por cálculo directo de largura.

Deformação (Arts. 72.º e 73.º)

Os estados limites de deformação correspondem a deformações que prejudiquem as funções da estrutura. Como dependem do tipo de obra e da sua utilização, o regulamento quantifica apenas as situações mais correntes, em geral flechas de elementos horizontais (Art. 72.º). Há casos em que o que condiciona não é a flecha mas a rotação ou o deslocamento horizontal, e cabe ao projectista julgar e fixar limites adequados.

A determinação das deformações (Art. 73.º) tem de contar com a fendilhação e com os efeitos diferidos (fluência e retracção), que aumentam significativamente as flechas a longo prazo. Por isso é que os efeitos diferidos, quase irrelevantes nos estados últimos, são protagonistas aqui.

Para reter

Utilização = durabilidade e conforto. Fendilhação: descompressão (pré-esforço) e largura de fendas (corrosão), mais a tensão máxima no betão. Deformação: flechas, com a fluência e a retracção a engordar os valores a longo prazo.

Teste do capítulo 9

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. X · Arts. 74.º a 86.º
Terceira parte · Disposições de projecto e construtivas

Disposições gerais relativas a armaduras

Há regras que não se demonstram com fórmulas, fixam-se. São as disposições construtivas: quanto betão tem de cobrir o aço, que distância deixar entre varões, como amarrar e emendar. Cumpri-las é o que garante que a teoria do cálculo se materializa em obra.

Armaduras principais e secundárias (Arts. 74.º a 76.º)

Distinguem-se armaduras principais (as que o cálculo exige) e secundárias (de distribuição, de pele, construtivas). É possível usar conjuntamente aços de tipos diferentes (Art. 75.º), com cuidados. Os varões podem agrupar-se (Art. 76.º), e nesse caso conta um diâmetro equivalente ∅_n.

Distância mínima entre armaduras (Art. 77.º)

Os varões precisam de espaço para que o betão (e o seu inerte) passe entre eles e os envolva. Em armaduras ordinárias, a distância livre entre varões não deve ser inferior ao maior diâmetro dos varões, e há que compatibilizar com a máxima dimensão do inerte. Em agrupamentos de armaduras de pré-esforço, a distância não deve ser inferior ao maior diâmetro das bainhas, nem a 4,0 cm.

Recobrimento mínimo (Art. 78.º)

O recobrimento é a espessura de betão que protege a armadura. Faz três coisas ao mesmo tempo: permite betonar bem, protege contra a corrosão e assegura a transmissão de forças por aderência. Os valores base, para betão de classe inferior a B30 e armaduras ordinárias, dependem da agressividade:

pouco agressivo moderado muito agressivo 2,0 cm 3,0 cm 4,0 cm
O recobrimento sobe com a agressividade do ambiente.
Recobrimentos mínimos base (armaduras ordinárias, betão < B30)
AmbienteRecobrimento
Pouco agressivo2,0 cm
Moderadamente agressivo3,0 cm
Muito agressivo4,0 cm

Para armaduras de pré-esforço, somam-se 1,0 cm a estes valores. Há reduções cumulativas para elementos laminares (0,5 cm) e para betões mais resistentes (0,5 cm em B30 a B40, 1,0 cm acima de B40), mas nunca se desce abaixo de 1,5 cm. Além disso, o recobrimento não deve ser inferior ao diâmetro do varão. E quando ultrapassa 5,0 cm, recomenda-se uma armadura de pele.

Curvatura máxima e aderência (Arts. 79.º e 80.º)

A curvatura das dobragens (Art. 79.º) não pode ser tão apertada que esmague ou fenda o betão na zona da curva; os diâmetros de dobragem mínimos estão no Quadro X. A aderência (Art. 80.º) é o que permite que aço e betão trabalhem juntos, e traduz-se num valor de cálculo da tensão de rotura da aderência, f_bd, que entra no comprimento de amarração.

Amarração e emendas (Arts. 81.º a 86.º)

A amarração é o comprimento de varão necessário para transmitir a sua força ao betão sem escorregar. Tratam-se os varões de armaduras ordinárias (Art. 81.º), as redes electrossoldadas (Art. 82.º) e as armaduras de pré-esforço (Art. 83.º). As emendas ligam varões em continuidade, em geral por sobreposição, com comprimentos próprios para varões (Art. 84.º), redes (Art. 85.º) e pré-esforço (Art. 86.º). Em emendas por sobreposição há que desfasar as juntas e cuidar das armaduras transversais.

Números para guardar

Recobrimento base 2 / 3 / 4 cm conforme agressividade · +1 cm no pré-esforço · mínimo absoluto 1,5 cm · recobrimento ≥ diâmetro do varão · acima de 5 cm, armadura de pele · agrupamentos de pré-esforço com distância ≥ 4 cm.

Teste do capítulo 10

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. XI · Arts. 87.º a 141.º
Terceira parte · Disposições de projecto e construtivas

Disposições relativas a elementos estruturais

Até aqui falámos de regras gerais. Agora o regulamento desce ao concreto: para cada tipo de elemento, viga, laje, pilar, parede, fixa armaduras mínimas e máximas, espessuras, espaçamentos. É o capítulo mais longo do REBAP, e é o que se consulta todos os dias na prancheta.

Vigas (Arts. 87.º a 95.º)

A viga é o elemento de flexão por excelência. A armadura longitudinal de tracção tem uma percentagem mínima, para que a peça não rompa de forma frágil mal o betão fendilha, e uma máxima, para que não fique demasiado armada. A percentagem mínima depende do aço:

Armadura longitudinal de tracção em vigas, percentagem mínima
AçoPercentagem mínima
A2350,25 %
A4000,15 %
A5000,12 %

A percentagem máxima de armadura de tracção é de 4 % da secção de betão. Além da armadura principal, a viga leva estribos (armadura transversal) para o esforço transverso, com espaçamentos máximos regulamentados, e armadura de pele quando a alma é alta. Há ainda regras para a armadura de montagem na face comprimida e para a amarração nos apoios.

Lajes (Arts. 96.º a 113.º)

O regulamento distingue vários tipos de laje, e cada um tem as suas regras. As lajes maciças são o caso de referência. As lajes aligeiradas aliviam peso com blocos ou moldes, deixando nervuras. As lajes fungiformes apoiam directamente em pilares, sem vigas, e levantam o problema do punçoamento.

maciça aligeirada fungiforme
Três famílias de laje, três conjuntos de regras.

Para as lajes maciças, a espessura mínima é de 7 cm quando recebem apenas cargas distribuídas, e de 10 cm quando há cargas concentradas. Nas lajes aligeiradas, as nervuras têm largura mínima de 5 cm, a distância entre faces de nervuras consecutivas não excede dez vezes a espessura da laje sobre os blocos, e a altura da nervura é pelo menos 0,8 vezes a espessura total. Nas lajes fungiformes, o ponto crítico é o punçoamento em torno dos pilares, tratado com armadura específica e verificação do contorno crítico.

Pilares (Arts. 114.º a 124.º)

O pilar trabalha sobretudo à compressão, muitas vezes com flexão associada. As regras protegem-no contra o esmagamento frágil e contra a encurvadura. A menor dimensão da secção transversal não deve ser inferior a 20 cm. A armadura longitudinal tem percentagens mínimas (referidas à secção de betão) e uma máxima de 8 %:

Nós fixos Nós móveis l₀
Disposição típica de armaduras num pilar: varões nos cantos e cintas.
Armadura longitudinal em pilares
AçoMínimoMínimo reduzidoMáximo
A2350,8 %0,4 %8 %
A400 / A5000,6 %0,3 %8 %

Exige-se pelo menos um varão em cada ângulo da secção (seis varões em pilares de secção circular), com diâmetro mínimo de 12 mm para o A235 e 10 mm para o A400 e A500. As cintas (armadura transversal) seguram os varões longitudinais contra a encurvadura local, com espaçamento máximo ligado ao diâmetro dos varões e à dimensão da secção.

Paredes, vigas-parede e consolas curtas (Arts. 125.º a 141.º)

As paredes resistentes têm espessura mínima de 10 cm e armadura vertical mínima de 0,4 %, distribuída pelas duas faces quando a espessura o justifica, mais armadura horizontal de distribuição. As vigas-parede (de grande altura face ao vão) têm espessura mínima de 10 cm e regras próprias de armadura, porque já não obedecem à hipótese das secções planas. As consolas curtas (mísulas) transmitem cargas concentradas por bielas comprimidas e tirantes, com modelo de escoras e tirantes. Há ainda secções ocas de pilares-parede, com espessura mínima de 10 cm.

Números para guardar

Vigas: armadura de tracção mínima 0,25 / 0,15 / 0,12 % (A235 / A400 / A500), máxima 4 % · Lajes maciças ≥ 7 cm (distribuídas) ou ≥ 10 cm (concentradas) · Pilares: secção ≥ 20 cm, longitudinal mín. 0,8 / 0,6 % (reduzível a 0,4 / 0,3 %), máx. 8 %, ∅ ≥ 12 / 10 mm, varão em cada canto · Paredes ≥ 10 cm e ≥ 0,4 % vertical.

Teste do capítulo 11

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. XII · Arts. 142.º a 146.º
Terceira parte · Disposições de projecto e construtivas

Estruturas de ductilidade melhorada

Há estruturas a que pedimos mais do que resistência: pedimos que, ultrapassada a carga de cedência, dobrem muito antes de partir. Essa capacidade de deformar sem ruir chama-se ductilidade, e é o que salva edifícios num sismo forte. Este capítulo curto fixa as regras para a obter.

Porque é que a ductilidade interessa

Uma rotura frágil acontece de repente, sem aviso. Uma rotura dúctil dá sinais, deforma-se, dissipa energia. Num sismo, essa dissipação é meia salvação: a estrutura absorve a energia do abalo deformando-se em zonas controladas, as rótulas plásticas, em vez de colapsar. Por isso o RSA permite usar coeficientes de comportamento mais altos (menos força de cálculo) precisamente nas estruturas de ductilidade melhorada, desde que se cumpram as disposições deste capítulo.

frágil dúctil deformação força
A peça dúctil mantém a carga enquanto se deforma muito; a frágil cai a pique.

Como se consegue (Arts. 142.º a 146.º)

A ductilidade não cai do céu, conquista-se com disposições construtivas mais exigentes. As principais ideias são:

  • Limitar a posição da linha neutra (manter x/d baixo), para que o aço entre em cedência antes de o betão esmagar.
  • Confinar o betão nas zonas críticas com cintas mais apertadas, que impedem o betão de se desagregar e aumentam a sua extensão última.
  • Garantir armadura de compressão e continuidade, distribuindo bem a armadura.
  • Cuidar das amarrações e emendas para que não falhem antes da rótula plástica se formar.
  • Aplicar o critério de pilar forte, viga fraca, para que as rótulas se formem nas vigas e não nos pilares.

Estas regras aplicam-se sobretudo a pórticos e paredes que constituem o sistema sismo-resistente. Em troca do esforço construtivo, a estrutura ganha o direito a coeficientes de comportamento mais favoráveis e, sobretudo, ganha segurança real perante o sismo raro mas violento.

Atenção

Ductilidade melhorada não é um extra decorativo: é uma cadeia. Basta uma amarração mal feita ou uma cinta espaçada de mais para a rótula plástica não se formar onde devia, e a vantagem perde-se toda.

Números para guardar

Coeficientes de comportamento (componente horizontal, normal / melhorada): pórtico 2,5 / 3,5 · misto 2,0 / 2,5 · parede 1,5 / 2,0. A ductilidade melhorada paga-se com cintas mais apertadas, confinamento, x/d baixo e o critério pilar forte, viga fraca.

Teste do capítulo 12

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. XIII · Arts. 147.º a 170.º
Quarta parte · Obra e qualidade

Execução dos trabalhos

Um projecto impecável não vale nada se a obra o trair. Este capítulo trata do que acontece no estaleiro: cofragens, dobragem e colocação de armaduras, fabrico e cura do betão, e, com cuidado redobrado, a aplicação do pré-esforço. É a ponte entre o papel e o betão endurecido.

Cofragens, escoramentos e armaduras (Arts. 147.º a 155.º)

As cofragens dão forma ao betão e têm de aguentar o seu peso fresco sem deformar nem deixar fugir a calda. Os escoramentos só se retiram quando o betão tem resistência para se sustentar, o que se liga ao endurecimento visto no capítulo do betão. As armaduras dobram-se com os diâmetros de curvatura regulamentados, colocam-se na posição correcta e fixam-se para não fugirem durante a betonagem. Aqui entra uma tolerância importante: o recobrimento efectivo pode ficar no máximo 0,5 cm abaixo do previsto, e não mais.

Fabrico, transporte, colocação e cura do betão (Arts. 156.º a 163.º)

O betão amassa-se com dosagens controladas, transporta-se sem segregar, coloca-se e vibra-se para expulsar o ar e envolver bem as armaduras, e cura-se mantendo a humidade enquanto ganha presa. Cada uma destas etapas tem regras, porque qualquer descuido, água a mais na amassadura, vibração a menos, cura interrompida, reduz a resistência e a durabilidade reais bem abaixo das de projecto.

Aplicação do pré-esforço (Arts. 164.º a 170.º)

O pré-esforço é a operação mais delicada de toda a obra, porque envolve forças enormes em armaduras finas. Há regras estritas:

  • Não se aplica pré-esforço com a temperatura do betão abaixo de 0 ºC.
  • O betão tem de ter atingido a resistência exigida no momento da aplicação.
  • Na pós-tensão, as armaduras têm de ser protegidas em prazo curto (em geral até sete dias) por injecção de calda nas bainhas, para travar a corrosão e solidarizar o aço.

A calda de injecção tem requisitos próprios: resistência não inferior a cerca de 17 MPa (em cubos de 10 cm, aos 7 dias), cimento a temperatura inferior a 40 ºC, fabrico em poucos minutos, aplicação dentro de cerca de meia hora, e relação água/cimento tão baixa quanto a trabalhabilidade permita. Tudo isto serve um único fim: que a armadura de pré-esforço dure tanto como a estrutura.

PreliminaresProduçãoConformidadeRecepçãoManutenção
A execução é a cadeia que liga o projecto ao desempenho real da obra.
Atenção

O pré-esforço por pós-tensão deixa, por momentos, aço de altíssima tensão exposto dentro das bainhas. Atrasar a injecção é convidar a corrosão a entrar onde menos se pode dar ao luxo de a ter.

Números para guardar

Tolerância de recobrimento: no máximo 0,5 cm a menos · Pré-esforço só com betão acima de 0 ºC e com a resistência exigida · Injecção das bainhas em prazo curto (cerca de 7 dias) · Calda: resistência ≥ 17 MPa aos 7 dias, cimento < 40 ºC, usar em cerca de meia hora, a/c baixa.

Teste do capítulo 13

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Cap. XIV · Arts. 171.º a 176.º
Quarta parte · Obra e qualidade

Garantia de qualidade

A segurança calculada nos capítulos anteriores assenta num pressuposto: que os materiais e a execução são o que dizemos que são. A garantia de qualidade é o conjunto de controles que torna esse pressuposto verdadeiro, em vez de um acto de fé.

A lógica do controlo

O regulamento não confia apenas na boa vontade. Organiza o controlo em fases, do princípio ao fim da vida da obra, de modo que cada material e cada operação seja verificado no momento próprio. A ideia é simples: apanhar os problemas cedo, quando ainda se corrigem, e deixar registo de que a obra cumpre.

PreliminaresProduçãoConformidadeRecepçãoManutenção
O controlo acompanha toda a vida da obra, da matéria-prima à manutenção.

Os tipos de controlo (Arts. 171.º a 176.º)

Distinguem-se, em traços largos:

  • Controle preliminar: antes de começar, verifica-se que os materiais e os métodos propostos servem (ensaios prévios, estudos de composição do betão, qualificação dos aços).
  • Controle de produção: durante o fabrico, o produtor mantém a regularidade (autocontrolo do betão e das armaduras).
  • Controle de conformidade: ensaios que confirmam que o que se produziu corresponde ao especificado, com critérios estatísticos de aceitação.
  • Controle de recepção: na obra, recebe-se o material verificando que cumpre antes de o incorporar.
  • Manutenção: depois de construída, a estrutura é acompanhada ao longo da vida útil para detectar e corrigir degradações.

Cada tipo tem responsáveis e documentos próprios. O fio condutor é que nada se dá por bom sem prova, e que essa prova fica registada. Assim, se um dia houver dúvida sobre a obra, há um historial que a sustenta.

Números para guardar

Cinco frentes de controlo: preliminar (antes), de produção (durante o fabrico), de conformidade (ensaios de aceitação), de recepção (na obra) e manutenção (ao longo da vida). A regra de ouro: nada é aceite sem prova, e a prova fica em registo.

Teste do capítulo 14

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Anexos I, II e III
Quinta parte · Anexos

Anexos do regulamento

Os anexos não são apêndices menores: contêm os métodos de cálculo da retracção e da fluência, as regras de fadiga e a simbologia que dá sentido a tudo o resto. São a caixa de ferramentas que se abre quando o texto principal remete para ela.

Anexo I, retracção e fluência

O betão não fica quieto depois de endurecer. Retrai ao secar (a retracção) e deforma-se lentamente sob carga constante (a fluência). Estes efeitos diferidos são pequenos para os estados limites últimos, mas grandes para os de utilização: engordam as flechas e fazem perder pré-esforço ao longo do tempo.

O anexo dá o método para os estimar. A retracção, ε_cs, e a fluência, traduzida por um coeficiente, dependem da espessura fictícia da peça (h₀, ligada à relação entre área e perímetro exposto), da humidade do ambiente, da consistência do betão (avaliada pelo ensaio de Vêbê) e da idade de carregamento. O anexo fornece valores de referência e ábacos. Recomenda-se afectar os resultados de uma margem de cerca de ±20 % quando se quer uma análise mais segura.

fluência + retracção tempo extensão
As deformações diferidas crescem depressa no início e vão estabilizando.

Anexo II, fadiga

Quando uma estrutura sofre muitas repetições de carga, pode romper a tensões inferiores às que aguentaria de uma só vez. É a fadiga. O regulamento manda verificá-la quando o número de repetições significativas ultrapassa cerca de 5×10⁵. A verificação compara a variação de tensão, Δσ = σ_máx − σ_mín, com um valor limite de fadiga:

Variação de tensão admissível à fadiga nas armaduras
ArmaduraΔσ admissível
Aço ordinário A400 / A500180 MPa
Redes electrossoldadas80 MPa
Armaduras de pré-esforço120 MPa

Estes valores reduzem-se em zonas de concentração de tensões: cerca de 30 % em estribos e varões levantados, e cerca de 50 % em emendas por soldadura. No betão, a variação de tensão admissível ronda metade da tensão de cálculo. O aço A235 NL não costuma ser condicionante; já o A235 NR é proibido quando a fadiga é determinante.

Anexo III, simbologia

O último anexo é um dicionário. Reúne os símbolos usados em todo o regulamento (das áreas A_c e A_s aos módulos E_c e E_s, das tensões f_ck e f_cd aos coeficientes γ_c e γ_s, passando por λ, ρ, σ, ε, ∅) e as abreviaturas das entidades e documentos de referência (CEB, FIP, ISO, LNEC, RBLH, RSA, RILEM). Sempre que uma fórmula parece um enigma, é aqui que se decifra. Este curso recolheu essa simbologia na página de glossário e símbolos, para a teres à mão a qualquer momento.

Números para guardar

Retracção e fluência: pequenas em ELU, grandes em utilização, com margem de ±20 % para o lado seguro · Fadiga: verificar acima de 5×10⁵ ciclos; Δσ admissível 180 MPa (A400/A500), 80 (redes), 120 (pré-esforço); A235 NR proibido se a fadiga manda · Anexo III: o dicionário de símbolos e abreviaturas de todo o REBAP.

Teste do capítulo 15

Vinte perguntas para fixar o que leu. Responda e carregue em verificar; o limiar de aprovação é 70%.

Avaliação final · 200 perguntas

Exame final

Duzentas perguntas sobre todo o regulamento, de escolha múltipla, verdadeiro ou falso, preenchimento e correspondência. Pode navegar livremente entre elas, deixar para o fim as que tiver dúvidas e voltar atrás. No fim, recebe a correcção pergunta a pergunta. Aprova com 70%.

Consulta · termos e simbologia

Glossário e símbolos

Os termos e os símbolos que aparecem ao longo do curso, reunidos para consulta rápida. Use a caixa de pesquisa para encontrar o que precisa.

Glossário

Acção
Causa capaz de produzir esforços ou deformações numa estrutura. Pode ser permanente (peso próprio, pré-esforço), variável (sobrecargas, vento, sismo) ou acidental.
Aderência
Ligação entre o aço e o betão que permite que trabalhem em conjunto. Traduz-se na tensão de cálculo f_bd e condiciona os comprimentos de amarração.
Amarração
Comprimento de varão necessário para transmitir a sua força ao betão sem escorregar.
Armadura ordinária
Aço de betão armado, das classes A235, A400 ou A500, não pré-esforçado.
Armadura de pele
Armadura junto às faces, para controlar a fendilhação superficial; recomendada quando o recobrimento ultrapassa 5 cm ou a alma é alta.
Bainha
Tubo que aloja a armadura de pré-esforço na pós-tensão e que depois é injectado com calda.
Betão
Material resultante da mistura de cimento, inertes e água, classificado de B15 a B55 pela resistência característica à compressão.
Classe de betão
Designação (ex.: B25) correspondente à resistência característica à compressão em cubos, em MPa.
Coeficiente de comportamento
Factor que reduz a força sísmica de cálculo, aproveitando a capacidade dúctil da estrutura para dissipar energia.
Consola curta
Elemento curto (mísula) que transmite cargas concentradas por bielas comprimidas e tirantes.
Descompressão
Estado limite de utilização do betão pré-esforçado que garante a ausência de tracções em certas fibras, para combinações de carga definidas.
Ductilidade
Capacidade de uma peça se deformar muito antes de romper, dissipando energia; essencial ao comportamento sísmico.
Encurvadura
Estado limite último de instabilidade de peças comprimidas esbeltas, controlado pela esbelteza λ.
Esbelteza
Razão λ = l0 / i entre o comprimento de encurvadura e o raio de giração da secção.
Espessura fictícia
Grandeza h₀, ligada à relação entre área e perímetro exposto, usada no cálculo da retracção e da fluência.
Estado limite último
Situação associada ao colapso: resistência, encurvadura ou equilíbrio. Verificação Sd ≤ Rd.
Estado limite de utilização
Situação associada ao bom funcionamento em serviço: fendilhação, deformação e vibração.
Estribo
Armadura transversal de vigas e pilares, que resiste ao esforço transverso e confina o betão.
Fadiga
Degradação do material sob muitas repetições de carga, que pode causar rotura a tensões inferiores às de uma carga única; verifica-se acima de cerca de 5×10⁵ ciclos.
Fendilhação
Abertura de fendas no betão tracionado; controla-se limitando a largura w_k para proteger as armaduras da corrosão.
Fluência
Deformação lenta e crescente do betão sob carga constante; agrava flechas e perdas de pré-esforço ao longo do tempo.
Laje fungiforme
Laje que apoia directamente em pilares, sem vigas, sujeita ao problema do punçoamento.
Pós-tensão
Pré-esforço aplicado depois de o betão endurecer, com o aço em bainhas ancoradas nas extremidades e posteriormente injectadas.
Pré-tensão
Pré-esforço em que o aço é esticado antes da betonagem, contra apoios externos; a força transmite-se por aderência.
Pré-esforço
Estado de tensão prévio introduzido na estrutura para comprimir o betão e controlar fendilhação e deformação.
Punçoamento
Rotura local por corte em torno de uma carga concentrada, típica das lajes fungiformes junto aos pilares.
Quantilho
Valor estatístico abaixo do qual fica uma certa percentagem dos resultados. A resistência característica corresponde ao quantilho de 5 %.
Recobrimento
Espessura de betão que protege a armadura, assegurando betonagem, protecção à corrosão e aderência.
Redes electrossoldadas
Malhas de varões soldados nos cruzamentos, com diâmetros de 3 a 12 mm e espaçamento mínimo de 5 cm.
Relaxação
Perda de tensão do aço de pré-esforço sob extensão constante ao longo do tempo; normal ≈ 15 %, baixa ≈ 6 %.
Retracção
Redução de volume do betão ao secar, que pode gerar esforços em peças impedidas de encurtar.
Rótula plástica
Zona onde se concentra a deformação plástica, dissipando energia; deve formar-se nas vigas, não nos pilares.
Valor característico
Valor de uma propriedade ou acção com uma probabilidade definida de não ser ultrapassado; base do método dos estados limites.
Viga-parede
Viga de grande altura face ao vão, que não obedece à hipótese das secções planas e tem regras próprias.

Simbologia (Anexo III)

SímboloSignificado
A_cÁrea da secção de betão.
A_pÁrea da armadura de pré-esforço.
A_sÁrea da armadura ordinária.
E_cMódulo de elasticidade do betão (secante aos 28 dias).
E_sMódulo de elasticidade do aço (200 GPa).
e_aExcentricidade acidental (l0/300, mínimo 2 cm).
f_ckValor característico da resistência do betão à compressão (quantilho de 5 %).
f_cdValor de cálculo da resistência do betão à compressão, f_ck/γc.
f_ctmValor médio da resistência do betão à tracção, 0,30·f_ck^(2/3).
f_ctkValor característico da resistência do betão à tracção.
f_pukValor característico da tensão de rotura do aço de pré-esforço.
f_p0,1kValor característico da tensão limite convencional de proporcionalidade a 0,1 % do aço de pré-esforço.
f_sydValor de cálculo da tensão de cedência do aço.
f_bdValor de cálculo da tensão de rotura da aderência.
h₀Espessura fictícia, usada na retracção e fluência.
iRaio de giração da secção, √(I/A).
l0Comprimento de encurvadura.
MMomento flector.
NEsforço normal (axial).
VEsforço transverso.
V_cdParcela do betão no esforço transverso resistente.
V_wdParcela das armaduras no esforço transverso resistente.
TMomento torsor.
P_0′Força de pré-esforço na origem (antes das perdas instantâneas).
P_0Força de pré-esforço inicial (após perdas instantâneas).
P_∞Força de pré-esforço final (após perdas diferidas).
R_dValor de cálculo da resistência.
S_dValor de cálculo da solicitação (esforço actuante).
w_kLargura característica das fendas.
x/dPosição relativa da linha neutra; limita-se a 0,25 na análise plástica de lajes.
γ_cCoeficiente parcial de segurança do betão (1,5).
γ_sCoeficiente parcial de segurança do aço (1,15).
ε_cExtensão do betão (última à flexão: 3,5 ‰; compressão uniforme: 2,0 ‰).
ε_sExtensão do aço (máxima de cálculo: 10 ‰).
ε_csExtensão de retracção do betão.
λEsbelteza, l0/i.
νCoeficiente de Poisson do betão (0,2).
ρPercentagem de armadura.
σTensão.
∅Diâmetro de um varão ou de uma bainha.
αCoeficiente de dilatação térmica (10⁻⁵ /ºC).
βCoeficiente de relaxação (≈ 0,20); ângulo de difusão do pré-esforço (tg β = 2/3).
Fontes e leituras

Bibliografia

As fontes em que este curso assenta e as leituras que ajudam a aprofundar. O documento central é o próprio REBAP; os restantes completam-no ou explicam-no.

Decreto-Lei n.º 349-C/83, de 30 de Julho (REBAP)
Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado. O documento de base deste curso.
Decreto-Lei n.º 235/83, de 31 de Maio (RSA)
Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes; complementa o REBAP nas acções e na segurança.
RBLH, Regulamento de Betões de Ligantes Hidráulicos
Diploma complementar sobre o fabrico e controlo dos betões.
CEB-FIP Model Code
Código modelo do Comité Euro-Internacional do Betão e da Federação Internacional do Pré-Esforço, base científica de muitas disposições do REBAP.
NP 332
Norma portuguesa de aços para armaduras ordinárias (classificação e ensaios).
NP 1069 e NP 1383
Normas portuguesas relativas a redes electrossoldadas e a ensaios de aços.
ISO 3898, ISO 3893, ISO 4356
Normas internacionais sobre simbologia, classes de resistência e deformações em estruturas.
Especificações do LNEC
Documentos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil sobre materiais, ensaios e durabilidade.
FIP, Report on Prestressing Steel
Documento da Federação Internacional do Pré-Esforço sobre aços de pré-esforço e relaxação.
RILEM, Recomendações
Recomendações da Reunião Internacional de Laboratórios de Ensaio de Materiais sobre ensaios de betão e aço.
Nota

Este curso é um apoio ao estudo e à consulta. Em caso de dúvida ou de aplicação concreta, o que vale é sempre o texto oficial do regulamento e a legislação em vigor.